Só um grande nome não basta

O-Exterminador-do-Futuro-Gênesis poster

Se fosse concedida a mim a chance de voltar no tempo 12 anos, um dos alertas que daria ao pré-adolescente Lucas de 13 anos ainda em estado de êxtase por ter tido seu primeiro contato com a obra-prima Exterminador do Futuro- O Julgamento Final era a de que justamente dessa franquia viria um dos momentos de maior raiva e decepção já vividos por ele numa sala escura do cinema.

Certamente o jovem iria achar aquilo um absurdo, e mandaria um sonoro “vá se foder!”. Ah, pobre padawan, não sabe que estaria desperdiçando um conselho de ouro para não se sujar com tamanha inundação de estrumes vinda da grande decepção cinematográfica dos últimos tempos: Exterminador do Futuro- Gênesis (EUA,2015).

É verdade que a produção está bem feita, com uma excelente fotografia, ótimos efeitos, como o jovem Schwarzenegger de 84 recriado em CGI de maneira muito competente, o carisma e talento do astro estão presentes na obra, e os primeiros 40 minutos são promissores, com referências feitas até certo ponto competentes ao clássico original de 84 e a continuação de 91.

Num futuro pós-apoclipse cibernético, a resistência humana liderada por John Connor (Jason Clarke) finalmente consegue derrotar a Skynet. Mas a vitória é em vão devido ao envio de um T-800 (Arnold Schwarzenegger) para 1984 com a missão de assassinar a jovem Sarah Connor (Emilia Clarke).

O soldado-e futuro pai de John- Kyle Reese (Jai Courtney) se prontifica a voltar no tempo para proteger aquela que dará luz a esperança da humanidade. Porém alguns acontecimentos alteram essa linha do tempo, e aí que começa o festival de atrocidades.

Pecando pelo excesso de idas e vindas nas viagens no tempo, que tentam serem justificadas a todo custo por discursos de física quântica, tal recurso deixa o roteiro rocambolesco e o espectador fica consequentemente mais perdido que a seleção brasileira na semi-final da Copa do Mundo de 2014.

Várias perguntas começam a pipocar na mente: Mas se eles fizeram isso agora pouco, como está acontecendo isso agora? Esse plano não poderia ter sido solucionado de maneira mais simples antes? Porque em 84 eles têm material pra construir essa máquina e no futuro não? Quem mandou o T-800 para proteger a Sarah e o T-1000 para assassina-la?

Fora tamanha vertigem, situações começam a incomodar como os irritantes “papis” proferidos por Sarah referindo-se ao seu protetor, os exagerados alívios cômicos, e o final que parece não chegar nunca.

Se você está constrangido de estrelar um mega abacaxi, diga xis!

Se você está constrangido de estrelar um mega abacaxi, diga xis!

A direção de Alan Taylor é risível, já que nem as cenas de ação possuem elementos que a façam ficar na memória. Em termos de atuação Jai Courtney entrega um trabalho de fazer inveja ao cigano Igor, e a boa atriz Emilia Clarke não consegue convencer na pele de uma das mulheres mais marcantes da sétima arte, a outrora badass Sarah Connor, dá lugar a uma jovem romântica e piadista. Nem o mega talentoso J.K Simons teve suas habilidades cênicas aproveitadas.

Mesmo com todo seu carisma e empenho de divulgar a fita de maneira criativa , o grande mito Arnold Schwarenegger não consegue carregar tamanho abacaxi nas costas como conseguia nos bons tempos.

E como desgraça pouca é bobagem, a cena inter-créditos finais dá a sensação de que os responsáveis por este atentando ao bom gosto pegaram o roteiro, mergulharam num vaso sanitário de buteco copo sujo de rodovia e jogou na cara do público, com um sorriso sarcástico na cara e pensando: “Como está fácil ganhar dinheiro em Hollywood, basta pegarmos uma franquia e astro consagrado, e bum! Ganhamos doletas em cima dos otários!”

Ah, se você caro leitor (a) acha que estou pegando pesado, recomendo a assistir a perfeita análise feita por Jovem Nerd e Azaghal em seu mais recente Nerdoffice.

Podem acreditar: era melhor ter ido ver o filme do Pelé!

Ficha Técnica

Gênero: Ação

Direção: Alan Taylor

Roteiro: Laeta Kalogridis, Patrick Lussier

Elenco: Aaron V. Williamson, Arnold Schwarzenegger, Brett Azar, Byung-hun Lee, Christopher Heskey, Courtney B. Vance, Douglas Smith, Emilia Clarke, J.K. Simmons, Jai Courtney, Jason Clarke, Matt Smith, Michael Gladis, Nolan Gross, Sandrine Holt

Produção: Dana Goldberg, David Ellison

Fotografia: Kramer Morgenthau

Montador: Roger Barton

Trilha Sonora: Lorne Balfe

Duração: 126 min.

Ano: 2015

País: Estados Unidos

Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

Estúdio: Paramount Pictures / Skydance Productions

Classificação: 12 anos

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