I Want my MTV

Nova MTV Brasil estréia no próximo dia 1º de outubro.

Nova MTV Brasil estréia no próximo dia 1º de outubro.

Alguns dirão que ela já se foi tarde demais, que não fará falta alguma e que já estava morta e só faltava enterrar; já o outro lado que vê o triste fim e que viu os boatos de 2012 pra cá se concretizarem, sentem uma sensação de levar um soco no estômago: a MTV Brasil como conhecemos chegará ao seu fim, com a marca retornando para sua detentora Viacom e para a TV fechada.

É bem verdade que a casa do clipe de “Music” já não estava tendo muita coisa, de qualidade então estava rala, com uma programação teen demais, cada vez mais longe de sua essência que um dia a consagrou como O CANAL para os amantes de música e clipes.

Muitos colocam a culpa no Youtube (“Youtube killed the videoclip star”), que com seu imediatismo e praticidade para ver um clipe na hora em que bem entender fez com que o espectador não precise mais ficar na frente da televisão pra ver ou rever seu clipe favorito, visão da qual discordo, pois se há um “assassino” nessa história ele tem um nome bem simples e direto: MTV!

Sim, a emetêve foi sua própria culpada para seu “primeiro fim”, e sua cova já estava sendo cavada há anos, e vários indícios já indicavam que uma hora, mais cedo ou mais tarde, a coisa ia azedar.

O primeiro grande erro do canal foi o de literalmente mandar se foder seu público fiel dos primeiros anos e de mudar radicalmente sua programação; se em seu início nos anos 90, possuía em sua grade excelentes programas de clipes, documentários, informativos, e tinha uma variação musical de encher os olhos, ao invés de aproveitar que estava com a faca e o queijo na mão, e saber que “em time que está ganhando não se mexe” e fidelizar sua audiência, não! Resolveu tomar o caminho inverso!

Concordo que o público daquela época tinha um senso crítico e visão mais apurada, e o cenário musical estava em um momento de ebulição e mágico, mas será que custava a dar o devido espaço e respeito que ele merecia?

Já o segundo e crucial, eu mesmo testemunhei bem de perto, ocorreu em 2007: a extinção dos clipes no horário nobre; queria ver clipe de dia?, só se fosse no enxuto e sem VJ Videoclash, ou servindo de trilha para embalar o MTV+ ou o Top Top, de resto, dá-lhe porcaria da gringa, programas estúpidos e de disputinha de meninos X meninas. Deus do céu! Como era horrível ver Casal Neura, Batalha de Modelos, Andy Milanokis Show, Pimp My Ride, Sweet Sexteen, e demais porcarias sendo exibidos!

Se o Youtube estava mostrando que o público via CLIPES em seu site, era mais do que a hora da Music Television investir neles e em programas de cunho musical para se manter firme, mas, com o tiro da misericórdia que deu, começava ali seu calvário.

Infelizmente não peguei sua época áurea, coincidentemente nascemos no mesmo ano, só fui ver pela primeira vez em 96, mas aquele “clipe amarelo” do Nirvana que passava no canal não me prendeu, detalhe, o “clipe amarelo” era simplesmente o de “Smeels Like Teen Spirit”; mais tarde em 99, viria o estouro e retorno de gala do Red Hot Chili Peppers com Californication e o fantástico clipe de “Otherside”, mas telespectador assíduo mesmo, só em 2005 quando a MTV chegou de vez em casa, e mesmo assim ainda deu pra pegar coisas boas na época como o Covernation, Disk MTV, Top 20, Videoclash, Jornal da MTV, Cine MTV e  Hermes e Renato, e graças a alguns documentários e clipes me aprofundei e tornei fã de gigantes como o Pearl Jam, Faith No More, Chico Science & Nação Zumbi, Metallica, Mötorhead, dentre outros.

Torço de coração para que as palavras de Judão sobre a “nova MTV” possam se concretizar e que com sua volta para a TV fechada, volte a ser “porra loca”, com suas vinhetas non sense, programas de humor inovador, animações politicamente incorretas como o clássico Beavis and But Head, documentários com edições e roteiro dinâmico que só ela sabe fazer, shows, VMB’s menos coxinhas, mais clipes e principalmente: que tenha mais respeito à música e seu público.

Porque não quero ter de voltar aqui um dia para noticiar o seu final definitivo, e constatar de fato que a geração garotinho juvenil, criada a leite com pera e Ovomaltine na geladeira, que acha que música é apenas uma coisa que faz um barulho legal em seu Iphone, serve de trilha de fundo em churrasco, na balada pra catar menininha, e que não reconhece seu incrível poder e arte, tenham ganhado esse jogo!

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