Gigantes de Aço

Confesso que Gigantes de Aço (Real Steel), a princípio, não me chamou muito a atenção quando assisti aos trailers, não vi nada mais que uma velha história contada pela milésima vez de maneira diferente.

Charlie Kenton (Hugh Jackman), ex-pugilista, vive atualmente de suas participações em lutas de boxe de robôs que, apesar de renderem muito dinheiro, não colaboraram muito para que Charlie se desse bem: ele está mais endividado do que deveria.

Para completar, ele acaba de ter seu robô boxeador massacrado na última luta, descobre que sua ex-namorada com quem teve um filho há “9…10…11 anos” atrás, tinha falecido e ele como pai, teria que se responsabilizar pela guarda do garoto. Do outro lado da moeda temos o casal de tios do garoto: milionários que têm tudo e mais um pouco para oferecer a ele, e é claro que Charlie não poderia deixar de se aproveitar disso, não é mesmo?

Tendo entrado em um acordo com os tios de Max (Dakota Goyo), Charlie irá ficar com ele por uma temporada até que estes voltem de uma longa viagem internacional. Ao chegar na “casa” de Charlie, Max fica encantado ao ver a nova aquisição de seu pai, o robô “Noise Boy”, que já havia sido campeão de vários torneios em diversos países e mostra que sabe muito bem daquele universo: conhece a história, não só de Noise, mas dos campeonatos, lutas clássicas, vitórias e derrotas.

Charlie tem uma luta marcada e acaba sendo forçado a levar Max a tiracolo, porém o que acontece naquela noite é mais uma derrota esmagadora ­– sobre a qual Max já tinha o alertado – em que, novamente, o robô sofre um dano irreversível. No caminho para casa, eles param em um ferro velho em busca de peças para montar um novo robô e é nesse momento que o contato entre pai e filho começa a ser sutilmente desenhado: experiências começam a ser trocadas e podemos perceber que, mesmo sem nunca ter visto Charlie, Max carrega consigo muito da forma de ser, pensar e agir de seu pai.

É nesse mesmo ferro velho que, por um quase golpe do destino, Max encontra um robô inteiro enterrado: Atom, de geração inferior à dos atuais lutadores que era utilizado como “saco de pancadas” para os grandes. Apesar do não apoio e ajuda de seu pai, ele o desenterra e leva para casa. É com as dicas de Bailey (Evangeline Lilly), com quem Charlie vive, que Max descobre que Atom tem uma função rara em robôs do tipo lutadores: a função sombra – comando que faz com que ele reconheça os movimentos de quem o controla e os grave em sua memória.

Max começa a controlar e treinar Atom com seu conhecimento adquirido através das tecnologias dos videogames japoneses e quer de toda forma que seu pai arrume uma luta para ele. Charlie ainda um pouco receoso com tudo isso, acaba vendo que Max realmente sabe o que está fazendo. A cada luta ou conquista ­– ou até mesmo discussão – o convívio entre eles vai amadurecendo, criando um laço e, apesar de soar clichê, emociona.

Hugh Jackman desempenha muito bem o papel do pai* – desculpem-me a palavra – babaca e canalha que acaba se deixando ser tocado e modificado pela sinceridade das palavras e atitudes de uma criança até então rejeitada e desconhecida de sua parte, que só queria que seu pai lutasse por ele.

É uma história que, por mais que seja simples, nos toca: emociona e faz rir. E, apesar das toneladas de latas, é humana.

Real Steel 

EUA , 2011 – 127 min.
Ação / Drama

Direção: Shawn Levy

Roteiro: John Gatins, Michael Caton-Jones, Sheldon Turner

Elenco: Hugh Jackman, Dakota Goyo, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Kevin Durand

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