A Maior Experiência Sensorial Da Terra

 

Em sua atual turnê, a US+Them Tour, Roger Waters, lendário co-fundador ex-baixista/vocal e principal letrista do Pink Floyd, montou um espetáculo de proporção tão épica, que como bem escreveu o crítico musical Regis Tadeu em seu site, é preciso até de uma certa distância do palco para que toda a experiência musical e visual possa ser sentida plenamente.

Com um telão gigantesco, palco que se adapta a capa de discos clássicos da era floydiana por meio de projeções mapeadas, efeitos cenográficos, iluminação sensacional e um incrível sistema de som 5.1, que permitia ao público ouvir em 360º, a US+Them Tour pode ser considerada a maior experiência sensorial da Terra.

Breathe.

No último sábado, 13 de outubro, 50 mil fãs, incluindo este humilde blogueiro que vos escreve, puderam vivenciar este grandioso show do lendário músico britânico em Brasília, no Estádio Nacional Mané Garrincha, que começou pontualmente as 21h30 logo com um petardo de cara: “Breathe”, abertura do antológico “The Dark Side Of The Moon” (1973).

O show engata e pisa mais fundo no acelerador com “One Of These Days”, instrumental espetacular que abre o clássico “Meddle” (1971) onde o baixo de Waters se destaca num som estrondoso.

Time.

A terceira do setlist é um grande hit do disco de 73: “Time”, onde Waters assume os vocais pela primeira vez no show, alternando com o excelente guitarrista/vocalista Jonathan Wilson.

The Great Gig In The Sky.

Em “The Great Gig In The Sky” ele mostra que tem excelente gosto na hora de montar sua banda de apoio, com o duo Lucius, composto pelas cantoras Jess Wolfe e Holly Laessi, fazendo um dueto de cair o queixo!

Welcome To The Machine.

Depois da sequência “The Dark Side Of The Moon”, é a vez da primeira presença de “Wish You Where Here”, com a impactante “Welcome To The Machine”, cujos primeiros entoados com vigor por Mr, Waters, já fizeram valer o ingresso.

Com a sede de hits do Pink Floyd um pouco mais saciada, é o momento do bloco de canções do último, e ótimo, álbum solo do artista, “Is This The Life We Really Want? ” (2017) entrar em cena com três canções: “Déjà Vu”, “The Last Refugee”, “Picture That”, e aqui Roger Waters se mostra mais livre empunhado somente seu microfone, andando de um lado para o outro no palco e interagindo com a plateia.

Wish You Where Here.

Trabalho recente divulgado, voltemos aos clássicos imortais, com a eternamente bela e filosófica faixa-título de “Wish You Where Here”, cantada a plenos pulmões pela multidão presente no estádio

A primeira parte do show é encerrada de maneira fenomenal com a sequência matadora de “The Happiest Days Of Our Lives”, “Another Brick In The Wall pt.2” e “Another Brick In The Wall pt.3”; durante a execução das canções um grupo de crianças de Brasília subiram ao palco vestindo roupas de presidiários e rosto coberto por um capuz preto. Depois de tirarem o pano negro de suas cabeças e revelando seus rostos, mais ao fim da canção, elas deixam de lado os trajes laranja e exibiram camisetas com a palavra “resist” (“resista”).

Segundo a conta oficial do músico no Instagram, numa postagem publicada no dia seguinte ao show, houve uma quebra no recorde de decibéis registrados da plateia presente na atual turnê.

Resista!

Um intervalo de 20 minutos é feito, com várias mensagens de teor político e crítico sendo projetadas no telão, provocando reações calorosas e diversas na plateia.

Battersea ready to rock!

O segundo ato do espetáculo começa com uma “mutação” do palco se transformando na emblemática usina de Battersea, imortalizada na capa do disco “Animals” (1977), e com um petardo: “Dogs”.

E a sequência do disco baseado no clássico de George Orwell, fica ainda mais memorável com a antológica “Pigs (Three Differente Ones) ”, onde há uma crítica pesada ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio de projeções que satirizam a sua imagem, mas o grande destaque aqui é o voo do imenso porco inflável sobre os fãs carregado de mensagens como “Stay Human” e “Seja Humano”, levando todos ao delírio.

Continue humano.

Tendo a linha de baixo mais charmosamente federal da história do rock, “Money” não poderia ficar de fora, sendo mais um momento de catarse coletiva do show, a ela segue a canção que dá nome a turnê, “Us And Them”, interpretada de maneira belíssima.

Para encerrar o segundo ato, a dobradinha “Brain Damage” e “Eclipse”, com a iluminação de raios lasers projetando sobre a plateia o icônico prisma presente na capa de “The Dark Side Of The Moon”.

Capa antológica reproduzida de maneira incrível ao vivo.

Antes de encerrar o show com seu bis, ao contrário das reações polarizadas, e muitas delas patéticas do público presente ao primeiro show da turnê brasileira em São Paulo, o público candango mostrou-se bastante caloroso e receptivo a Roger Waters, levando o cantor as lagrimas, antes de uma emocionante performance de “Mother”.

Roger Waters se emociona.

Para encerrar o show com chave de ouro, mais uma obra-prima de “The Wall” (1979), “Comfotably Numb, que cai como uma luva nessa ocasião, com uma união perfeita de som, luzes, imagens e plateia unidos em plena harmonia.

No final tudo soa incrivelmente fantástico, e Roger Waters mostra ao vivo e a cores (muitas e belas), que honra a sua palavra quando disse em entrevista ao site G1 que este seria um show “espetacular como todos os meus shows foram”.

2 comentários em “A Maior Experiência Sensorial Da Terra

  1. Quero te parabenizar por essa crítica coesa sobre esse gênio musical que eu particularmente tenho discordado tanto, você conseguiu sair dessa avalanche do embate político e jogar para o lado da música que no final é sempre o que importa, de longe a melhor crítica sobre o concerto que eu li nesses dias.

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