Azar Do Oscar

Mais uma vez a novela se repete: o Brasil tenta mais uma vez conseguir uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro, e a caquética Academia vai e frustra o sonho do careca dourado vir parar em terras tupiniquins. E quer saber? Azar do Oscar se ele não quer ter o privilégio de ter um filmaço como Bingo- O Rei Das Manhãs em seu hall de vencedores. 

O debut do agora diretor Daniel Rezende é a constatação de que o cinema brasileiro está no caminho certo de como se fazer um filme decente e que fuja dos clichês que afugenta platéias e que tira credibilidade das produções verde amarelas. 

Com o roteiro baseado na vida de Arlindo Barreto, o mais ilustre intérprete do icônico palhaço Bozo, a trama mostra a trajetória de Augusto Mendes (Vladmir Brichta), ex-astro da pornochanchada e que teve uma pífia tentativa de virar ator global, encontrando a grande chance de dar uma guinada na carreira vivendo a mais nova aposta da TVP (leia-se TVS, primeiro nome do SBT): o palhaço Bingo. 

Nos anos 80 o que a molecada mais quer é bater um fio pro Bingo.

Por ter sido editor de grandes filmes como Tropa de Elite e Cidade de Deus, já era de se esperar um timing perfeito da fita de Rezende, que tem um ritmo dinâmico, com direito a planos sequências, mas sem parecer um amontoado de ideias jogadas a esmo.  

A fotografia de Lula Carvalho é um verdadeiro deleite para os saudosos e admiradores dos anos 80, ressaltada pelos cenários que remetem de maneira perfeita as produções televisivas da época, assim como os figurinos, penteados, maquiagens e objetos de cena. 

Essa louca viagem a “década perdida” fica ainda mais divertida com boas pitadas de nostalgia em sua trilha sonora que traz nomes como Ritchie, Tokyo, Titãs, Dr. Silvana, Metrô, Gretchen, Nena, Devo, Echo & The Bunnymen tudo junto e misturado. 

Mas é no elenco que a produção mostra toda sua força, com a atuação monstruosa de Vladmir Brichta, acompanhado de um elenco coadjuvante afiado com Leandra Leal, Débora Torres, Tainá Müller, Augusto Madeira, a revelação Cauã Martins, e Emanuelle Araújo encarnando uma Gretchen que fala por si só! 

Além da injustiça da maior premiação cinematográfica do planeta, é decepcionante também ver como Bingo capengou nas bilheterias, mal chegando na casa dos 500 mil espectadores. 

Uma pena, pois uma joia rara dessa magnitude made in Brazil, merecia mais, muito mais! 

Ficha Técnica

Direção: Daniel Rezende

Elenco: Ana Lúcia Torre, Augusto Madeira, Cauã Martins, Emanuelle Araújo, Leandra Leal, Raul Barreto, Tainá Müller, Vladimir Brichta

Roteiro: Luiz Bolognesi

Produção: Caio Gullane, Fabio Gullane

Fotografia: Lula Carvalho

Trilha Sonora: Beto Villares

Estúdio: Gullane Filmes

Montador: Marcio Hashimoto

Distribuidora: Warner Bros

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