O Grande Pastel de Vento de Tarantino

Os Oito Odiados

Se a promessa de aposentadoria do genial cineasta Quentin Tarantino se cumprir em seu décimo filme, com intuito de ter uma filmografia perfeita, infelizmente ele não poderá se orgulhar desse feito devido ao seu oitavo (e mais recente) filme: Os Oito Odiados.

É bem verdade que Tarantino já soube se aventurar com propriedade e muita qualidade no western em “Django Livre”, e o fato de voltar ao icônico gênero cinematográfico, numa espécie de “Cães de Aluguel” do velho oeste tinha tudo para dar certo.

Praticamente ambientado em um ambiente, um armazém no meio do nada, o filme traz o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) transportando em sua carruagem a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) rumo à cidade de Red Rock, onde ela será enforcada sob a acusação de assassinato. No meio do caminho acabam topando com o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), e com o futuro xerife de Red Rock Chris Mannix (Walton Goggins).

Com uma nevasca a caminho, a diligência se hospeda no Armazém da Minnie, onde se juntam a mais quatro hóspedes que não aparentam ser o que dizem.

Os Oito Odiados cena

Visto pelo ponto de vista técnico, a oitava obra do diretor que revolucionou o cinema a partir dos anos 90, tem os aspectos que fariam dela a sua definitiva: a fotografia é belíssima, contemplando planos abertos de uma paisagem gélida que encantam, e detalhando cada aspecto de cena; o mestre das trilhas-sonoras Ennio Morricone mais uma vez dá espetáculo com uma trilha tensa e impactante, e o elenco de feras entregam atuações muito competentes.

Mas com tantas qualidades, o que deu errado afinal de contas? Acredite se quiser; as duas grandes marcas de Tarantino: roteiro e direção (com exceção da dos atores).

Ao contrário dos diálogos instigantes de sua ótima estreia de 92, Os Oito Odiados apresenta um texto verborrágico, nada cativante, que torna a experiência de acompanhar a trama numa crescente onda de tédio.

Lembra do lance genial de não mostrar o assalto, e deixar que o filme mostre o vilão de forma fluída e surpreendente? Esqueça! Aqui Tarantino opta por um desnecessário flashback, e uma narração em off que prejudicam; e até mesmo o elemento “sangue” que outrora era a assinatura do diretor e seu grande diferencial, aqui é usado de forma muito vazia e banal.

No fim das contas, Os Oito Odiados se apresenta como um verdadeiro pastel de vento: com uma aparência bonita e suculenta, mas que depois de uma boa mordida, decepciona com seu pouquíssimo recheio.

Fica agora a torcida para que o gênio de filmes brilhantes como Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Kill Bill Vol. I e II, Bastardos Inglórios e Django Livre, não se perca mais e entregue seus dois filmes derradeiros à altura de seu talento.

Ficha Técnica:

Gênero: Faroeste

Direção: Quentin Tarantino

Roteiro: Quentin Tarantino

Elenco: Belinda Owino, Bruce Del Castillo, Bruce Dern, Channing Tatum, Craig Stark, Dana Gourrier, Demián Bichir, Gene Jones, James Parks, Jennifer Jason Leigh, Keith Jefferson, Kurt Russell, Lee Horsley, Michael Madsen, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Walton Goggins, Zoe Bell

Produção: Richard N. Gladstein, Shannon McIntosh, Stacey Sher

Fotografia: Robert Richardson

Montador: Fred Raskin

Trilha Sonora: Ennio Morricone

Duração: 182 min.

Ano: 2015

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Distribuidora: Diamond Filmes

Estúdio: Columbia Pictures / The Weinstein Company

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