Ótimo para conhecer o homem, nem tanto para o gênio

MARLEYxm Poster_27x40c

A tarefa de levar para as telas a trajetória de grandes ícones musicais, não é das mais fáceis; ainda mais quando se trata de Bob Marley, gênio musical cuja história de vida e do reggae se confunde.

Contando com a ajuda da família Marley, e tendo acesso a um vasto material de arquivo, o diretor Kevin MacDonald (O Último Rei Da Escócia, Intrigas de Estado) traça um perfil de mais de duas horas do homem por trás do mito.

O ponto de partida aqui é a pequena vila de Saint Ann, local de nascimento do então Robert Nesta Marley, filho de um general inglês e uma jamaicana. Quando criança, Marley sofria constantemente bullying de seus colegas, por ser considerado “branquinho” demais.

Tal fato seria determinante para acender a centelha que viria a ser a tônica de seu trabalho: o cantor não se considerava nem do lado branco, nem do lado negro, queria ser a corrente de uma integração racial.

Entre declarações de músicos, familiares, amigos e conhecidos, no que tange o aspecto de vida pessoal, vários aspectos são abordados: sua infidelidade e o alto número de filhos com mães diferentes, o pai ausente e linha dura, assim como a alma generosa e acolhedora com os fãs e simpatizantes que vinham ao seu encontro.

O lendário encontro de Bob Marley com o Jackson Five na Jamaica em 1975.

O lendário encontro de Bob Marley com o Jackson Five na Jamaica em 1975.

Sendo obrigado a selecionar quais assuntos deveriam ter um enfoque maior, para contar certas histórias com a devida atenção, o diretor opta por jogar mais holofotes no lado pessoal de Bob Marley, e pinceladas em sua figura musical mítica.

Não se pode negar que os impactos de seus shows, em especial os de 76 – cujo atentado sofrido pelos Wailers, forçou um exílio em Londres- e 78 – que fez uma improvável união política forças opositoras extremas da Jamaica- assim como sua primeira ida ao continente africano, foram muito bem abordados.

Mas sua discografia é praticamente jogada pra escanteio, tendo destaque por alto apenas os clássicos “Catch A Fire” (1973) e “Exodus” (1977). História, curiosidades, e impactos de hits monumentais? Esqueça! Aqui temos apenas uma interessante versão gospel com o grande Peter Tosh ao piano de “No Woman, No Cry”.

Falando em Peter Tosh, o lendário guitarrista que ao lado de outras feras do Wailers, como o baixista Aston “The Family Man” Barrett, o baterista e irmão de Alan, Carlton Barrett e o percurssionista Bunny, ajudou a pavimentar o caminho de sucesso histórico do reggae, também é citado de maneira sucinta e sua saída, assim como a de Bunny, é trata em minutos.

Apesar de não ser um retrato definitivo, como se vende, Marley se apresenta como uma ótima maneira para fãs e admiradores que queiram começar suas incursões na biografia do maior gênio da história do reggae.

Ficha Técnica

Gênero: Documentário

Direção: Kevin Macdonald

Produção: Charles Steel

Fotografia: Alwin H. Kuchler, Mike Eley, Wally Pfister

Duração: 144 min.

Ano: 2012

País: Estados Unidos / Reino Unido

Cor: Colorido

Estúdio: Cowboy Films / Shangri-La Entertainment / Tuff Gong Pictures

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s