Muito acima da média

Mad Max Estrada Da Fúria

Somente vivendo numa caverna, em um país com a pior ditadura possível, ou na mais distante tribo indígena para não sentir os impressionantes impactos gerados pelo mais novo monumento do cinema de ação: Mad Max- Estrada da Fúria.

Todos os comentários ultra, mega, over elogiosos que não param de pipocar a respeito do retorno de George Miller com sua criação que inventou o cinema pós-apocalíptico, são resultados de um feliz caso onde a alta expectativa vendida não só é cumprida, como ultrapassa ela com extrema facilidade.

E tamanho reconhecimento é justíssimo ao esforço de se realizar o tão desejado quarto capítulo da saga de Max Rockatansky, que chegou a sofrer atrasos na produção devido a tempestades na Austrália que transformaram um deserto numa floresta a desentendimentos no elenco (houve notícias de que Tom Hardy e Charlize Theron não se bicaram no início das filmagens).

Vendo como anda as produções do cinemão de ação atual, Miller poderia ser presa fácil da armadilha de roteiros que trazem cenas grandiosas, recheadas de efeitos especiais e jogadas de câmeras frenéticas, tendo um fiapo de história como pano de fundo.

Graças à visão genial da mente do cineasta australiano, vemos essa fórmula usada num patamar muito acima do que é feito, com uma história que a primeira vista pode parece ser simples, mas que carrega mensagens e interpretações de texto sensacionais.

Aqui somos apresentados a um Mad Max (Tom Hardy) perturbado pelos fantasmas do passado, vagando pelo mundo tentando levar sua vida adiante. No meio de seu caminho surgem os “Garotos de Guerra”, séquito liderado pelo tirano megalomaníaco Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, que fez o Toecutter do primeiro Mad Max), que capturam Max e o transformam numa “bolsa de sangue” para seus combalidos guerreiros.

Quando a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), figura imponente e orgulho de Joe, consegue fugir com as “parideiras” do ditador numa máquina de guerra que transporta um tanque de gasolina, um dos itens sagrados de uma terra árida e sem um pingo de civilidade, Max acaba tendo de ajudar o grupo, mesmo que de maneira relutante, para poder seguir adiante.

Problemas no caminho de volta pra casa.

Problemas no caminho de volta pra casa.

Fica até difícil tentar descrever a beleza e os detalhes inseridos com maestria no roteiro, que traz um verdadeiro banquete dos deuses tanto para os fãs da trilogia estrelada por Mel Gibson, quanto para os amantes de uma narrativa bem construída.

O primeiro trunfo é o de mostrar como estamos sujeitos a chegarmos numa situação de extrema calamidade a ponto de nos deixar mais transtornados que um viciado em drogas, por recursos (ainda) básicos como água e leite. Soma-se a isso a críticas sutis e ferrenhas ao fanatismo doentio de religiões com promessas mirabolantes que fazem homens a dizimarem nações em busca de sonhos utópicos.

Também chama a atenção como o arco de vários personagens é bem desenvolvido, com destaques para o jovem louco e sonhador Nux (Nicholas Hoult), o icônico vilão Immortan Joe, e acima de tudo, a figura feminina de personalidade forte da Imperatriz Furiosa feita com perfeição por Charlize Theron.

Mas os grandes êxitos do filme ficam com seus aspectos técnicos, todos executados com maestria: a fotografia suja e quente de John Seale traz verdadeiras obras de arte em cada frame, juntamente a uma trilha incrível, muito bem representada na figura do carro alegórico do guitarrista mais incendiário e heavy metal do futuro distópico, a direção de arte espetacularmente trash e pesada, e aos efeitos especiais realistas que faz o menor uso possível de CGI.

Se há algo que desaponte um pouco em Estrada da Fúria, é o fato da figura marcante de Mad Max ser deixada de lado, não tendo um desenvolvimento mais bem feito e que desse o destaque que o personagem merece; o que não se traduz num trabalho ruim de Tom Hardy.

Por ter mais recursos de filmagem, aqui estamos presentes do melhor filme da franquia, o que já seria um feito e tanto, mas o principal legado que Mad Max- A Estrada Da Fúria deixa é a chama da esperança de vermos uma nova safra de filmes de ação incríveis que consigam unir inteligência e arte de forma acessível, como era feito em outrora.

Ficha Técnica

Gênero: Ação

Direção: George Miller

Roteiro: Brendan McCarthy, George Miller, Nick Lathouris

Elenco: Abbey Lee, Angus Sampson, Charlize Theron, Coco Jack Gillies, Courtney Eaton, Debra Ades, Greg van Borssum, Hugh Keays-Byrne, John Howard, Josh Helman, Megan Gale, Melissa Jaffer, Nathan Jones, Nicholas Hoult, Richard Carter, Richard Norton, Riley Keough, Rosie Huntington-Whiteley, Tom Hardy, Zoë Kravitz

Produção: Doug Mitchell, George Miller, P. J. Voeten

Fotografia: John Seale

Montador: Jason Ballantine, Margaret Sixel

Trilha Sonora: Junkie XL

Duração: 120 min.

Ano: 2015

País: Austrália / Estados Unidos

Cor: Colorido

Distribuidora: Warner Bros.

Estúdio: Kennedy Miller Productions / Village Roadshow Pictures

Classificação: 16 anos

 

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