Menos Off. Mais Som.

Tim Maia

É inegável que falta uma cinebiografia de grandeza na trajetória das produções verde-amarelas; mesmo com algumas boas e ótimas tentativas, nenhuma delas conseguiu o feito de estar a altura de seu biografado com uma narrativa que saiba equilibrar os aspectos positivos e negativos do mesmo.

Mas, eis que surge a oportunidade de ouro para romper essa escrita: o mito da soul music brasileira, dono de um talento e poder vocal incrível, de personalidade forte, carismático e síndico do Brasil ganha seu registro na tela do cinema: Tim Maia.

Com direção de Mauro Lima (Meu Nome Não É Johnny) e tendo o roteiro baseado na biografia de Nelson Motta “Vale Tudo- O Som E A Fúria de Tim Maia”, o filme Tim Maia (2014), teve a missão de retratar o ícone em mais de duas horas de projeção, começando pela dura infância na Tijuca, quando era apenas o pequeno Tião Marmita, incômodo apelido herdado nos tempos em que ajudava seu paia na entrega das mesmas pelo bairro fluminense, até chegar na sua adolescência.

A essa altura o ator Robson Nunes assume o posto do astro, no período em que se inicia seu contato com a música, o rock, as primeiras paixões e a ousada iniciativa de formar um quarteto vocal (Os Sputniks), tendo como um de seus membros, o então jovem e desconhecido Roberto Carlos.

Tentado com a fama e regalias de uma carreira solo, RC pula fora do barco, e resta a Tim buscar novos horizontes musicais e sociais na terra do Tio Sam, na “matriz” de sua matéria prima, aonde tem um contato mais aprofundado com a soul music e o movimento social negro.

Deportado, o músico tenta a todo custo ganhar uma chance no programa da Jovem Gaurda, aonde seus velhos amigos Roberto e Erasmo Carlos são os novos rock stars do momento; até que o primeiro grava uma “música com pegada mais swingada” do músico, e abre o caminho para que finalmente o sucesso bata a sua porta.

"O que eu quero, é sossego".

“O que eu quero, é sossego”.

Nesse ponto em diante, Babu Santana assume o comando, e passa pelas fases que construíram sua imagem grandiosa e trágica: o sucesso estrondoso do primeiro LP, as festas de arromba, as furadas e reclamações do som nos shows, a fase imunizada e racional, o fundo do poço com as drogas, seu ressurgimento artístico nos anos 80, e o trágico fim no fatídico show do Teatro Municipal de Niterói em 8 de março de 1998.

Os aspectos positivos de Tim Maia (o filme), que poderiam torná-lo a cinebiografia definitiva do Brasil, são inúmeros: a ótima fotografia em tom mais amarelado e 70’s, os desempenhos incríveis de Robson e Babu, a excelente trilha sonora, as frases de impacto disparadas por Tim, o ótimo trabalho da direção de arte que recriou de forma muito competente cenários, figurinos das épocas retradas, além de cenas impagáveis, como o fim da fase racional e a construção que saiu errada por um erro de calculo arquitetônico.

Mas, o tom didático, forçado ao extremo com a narração em off do personagem e amigo de longa data Fábio (Cauã Reymond), atrapalha muito o andamento das coisas, fora alguns momentos que poderiam ser contados de forma mais breve (como a insistência em entrar na Jovem Guarda), além da caricata e ridícula atuação de George Sauma como Roberto Carlos, e a torturante participação da sempre péssima Malu Magalhães, aqui na figura de Nara Leão.

Se o técnico do som manuseasse melhor sua mesa e baixa-se o volume do off, e deixasse o som de Tim Maia mais alto e falando por si só, teríamos não só a melhor cinebiografia, como um dos melhores filmes que esse país já viu!

Ficha Técnica

Gênero: Drama

Direção: Mauro Lima

Roteiro: Antônia Pellegrino, Mauro Lima

Elenco: Alinne Moraes, Babu Santana, Cauã Reymond, George Sauma, Laila Zaid, Luis Lobianco, Marco Sorriso, Robson Nunes, Tito Naville, Valdineia Soriano

Produção: Rodrigo Teixeira, Rômulo Marinho Jr

Fotografia: Eduardo Miranda, Ulisses Malta Jr.

Trilha Sonora: Berna Ceppas

Duração: 140 min.

Ano: 2014

País: Brasil

Cor: Colorido

 

 

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