Os mais críticos que acham que o cinema deve sempre ser “o mais próximo do real” e cientistas, com certeza dirão que Lucy (Lucy, 2014) não passa de uma bobagem high tech de embalagem bonita para ser consumida pelo grande público.
Se você for um destes, é realmente melhor cair fora desta empreitada, agora, se a sua praia é ver um filme de ação com uma premissa interessante e eletrizante do começo ao fim, o retorno de Luc Besson a ficção científica encabeçada por uma femme fatale, revela-se como uma das coisas mais bacanas de 2014.
Na trama, Lucy (Scarlett Johansson) é uma aspirante a atriz/modelo que se vê forçada pelo namorado a entregar uma encomenda suspeita a uma poderosa máfia de Taiwan; forçada a trabalhar como “mula” transportando uma droga experimental em seu estômago, que por causa de um tratamento nada cordial dos capangas, a droga acaba “vazando” para o seu organismo.
Esse acidente que poderia provocar uma overdose faz a protagonista ter acesso a áreas não desbravadas de seu cérebro, e passa a ser de uma fútil gostosa-objeto para uma verdadeira arma de destruição em massa ambulante.
Como já era de se esperar de um trabalho de Besson, o filme traz uma direção magistral do francês com uma edição de imagens e cenas de ação como a do carro andando na contramão no trânsito de Paris, de fazer nossos olhos quase saírem de órbita.
A trilha de seu companheiro de longa data Eric Serra também colabora para que o mega espetáculo visual visto na tela tenha seus momentos de tensão e poesia.
Mas é no elenco que Lucy tem seu principal arsenal de fogo, que foi capaz de arrebatar um cinéfilo de Los Angeles a Berlim. Scarlett Johansson mostra mais uma vez seu talento ao conseguir transmitir naturalmente as emoções extremas de sua personagem, entrando para o seleto hall de grandes heroínas do diretor, e pra fechar, ainda há a presença mais do que especial de Morgan Freeman como o “mentor científico” de Lucy.
Apesar da conversa que Freeman tem com Johansson do porque ela deve ajudar a humanidade ser um tanto quanto rápida e do final tentar emular uma emoção já vista em Energia Pura, mas acabando de uma maneira simples e absurda, a narrativa apresentada é tão eficiente que você terminará a sessão com a sensação de que um pó azul mexeu com a sua cabeça.
Ficha Técnica
Gênero: Ação
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Amr Waked, Analeigh Tipton, Cédric Chevalme, Christophe Tek, Claire Tran, Frédéric Chau, Jan Oliver Schroeder, Mason Lee, Min-sik Choi, Morgan Freeman, Paul Chan, Pilou Asbæk, Scarlett Johansson, Yvonne Gradelet
Produção: Christophe Lambert, Luc Besson, Virginie Silla
Fotografia: Thierry Arbogast
Trilha Sonora: Eric Serra
Duração: 89 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Classificação: 16 anos