Tabu Acrescentado

Anúncio do show da Nação Zumbi

Por um bom tempo achei que o título de “melhor show nacional que já vi na vida” ficaria de forma vitalícia com o dos Titãs, que assisti juntamente com meu grande amigo André na Fenamilho, naquela memorável noite de quinta-feira de 21 de maio de 2009.

Um som pesado, impecável, clássicos ao monte, performance super animada e uma ótima presença de público, fizeram com que aquele momento fosse mais do que especial na minha mente. E olha que a concorrência foi grande e acirrada (com alguns quase chegando lá): Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Lulu Santos, Pouca Vogal, Jota Quest, O Rappa, Almah, Zé Ramalho, Roupa Nova, Guilherme Arantes, Wilson Sideral e Autoramas e B Negão.

Se todo tabu foi feito pra ser quebrado, com esse algo muito diferente aconteceu: foi acrescentado, com o espetacular show da Nação Zumbi na 2º edição do Festival Timbre em Uberlândia na última sexta (30/5). Mas chegar lá teve certos percalços que preciso citar aqui.

Com uma programação recheada de atrações e marcado para começar às 20h, resolvi marcar com meu primo Eduardo para ir às 22h na esperança que o show começaria às 23h ou a meia-noite estourando.

Só que um atraso na liberação do público no Acrópole, fez com que a ordem dos shows fosse alterada, e quando adentrei no local a apresentação pesada e boa do duo Muñoz estava na metade para o fim.

Do lado de fora uma feira foi montada com direito a um palco onde uma banda desfilava clássicos do rock nacional dos anos 80 e 90, e entre um intervalo e outro ficava bastante movimentada.

Após o primeiro intervalo, show da cantora Bárbara Eugênia; e se uma Malu Magalhães e Adriana Calcanhoto já são soníferas e insuportáveis o bastante, junte as duas num liquidificador, bata bem e pronto: sai a Bárbara. Som chato, fraco, sonolento e bem torturante, onde uma hora parecia ser vinte!

E antes de falar da decepção seguinte, uma ressalva: sempre fui fã e admiro o trabalho como jornalista musical de Chuck, um dos últimos grandes VJ’s da finada MTV, e curto bastante o canal que ele mantém com a namorada Gaía no Youtube, o Gato e Gata. Mas o sonzinho fraco e nada impactante, de revoltadinho juvenil que o Vespas Mandarinas mandou não empolgou nem um pouco, e eu e Eduardo mal conseguimos assistir duas músicas. Nação Zumbi, por favor!

Após uma longa espera a Nação Zumbi sobe ao palco!

Após uma longa espera a Nação Zumbi sobe ao palco!

O relógio já marcava mais de duas da madruga, quando a lendária banda pernambucana subiu ao palco, e nem preciso ficar aqui me alongando sobre o contexto e importância histórica deles e do movimento maguebit.

Mas ali ao vivo, os vendo pela primeira vez, pude sentir na pele o porquê de, passados mais de 20 anos, o grupo ainda manter uma sonoridade espetacular e única, onde praticamente não houve baixos em sua carreira.

Se Rauzito plantou a semente da mistura do rock com a música nordestina com “Gita” em 74, a Nação Zumbi juntamente com o genial Chico Science deram o passo adiante com “Da Lama Ao Caos” vinte anos depois; e outro mais além ainda foi dado naquela fria madrugada.

A abertura meio morna dava indício de que seria uma apresentação burocrática com ar de simpática, mas, já na terceira canção quando o guitarrista Lúcio Maia tocou os primeiros acordes de “Bossa Nostra”, o placar do jogo acabava de ser inaugurado com um belo gol.

E que sequência matadora viria a seguir com: “Fome de Tudo”, “Hoje, Amanhã e Depois” e “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, que até o momento seria a parte mais incrível e animada da apresentação.

Mas como toda grande banda que se preze, a Nação ainda tinha um grande arsenal de fogo para ser utilizado pelo vocalista Jorge Du Peixe, o baixista Dengue, o baterista Pupilo e Gilmar Bola Oito com sua alfaia.

Para manter o peso, o show teve petardos como “Rios, Pontes e Overdrives”, “Blunt Of Judah”, “Manguetown” e um bis arrebatador com “Quando A Maré Encher” que fez o Acrópole inteiro pular sem parar, e a sempre clássica e fantástica, encerrando com chave de ouro, “Da Lama Ao Caos”!

Claro que faltaram clássicos como “A Cidade”, “Praieira”,”Magô” e “Maracatu Atômico”, que poderiam ter facilmente ter entrado no lugar de algumas músicas como a novata “Cicatriz”.

Se essas ausências foram sentidas? Claro! E se fossem tocadas fariam com que a apresentação em termos sonoros fosse perfeita; ah e se a iluminação não fosse tão escura, focada mais nas costas dos músicos, também ajudaria.

Quem sabe numa próxima oportunidade, para ambas as bandas do título, esse empate técnico seja decidido?

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