Faltou foco

Godzilla

Sabe aqueles comerciais clássicos de sanduíches gigantes e suculentos, da rede de fast food do palhaço de cabelo vermelho, que davam água na boca, mas que quando você chegava na lanchonete vinha a decepção com o minúsculo sanduba e que não era lá essas coisas?

Pois é, essa é a sensação que se tem ao assistir o novo Godzilla, cujo trailer e alvoroço causado por alguns críticos e fãs que o assistiram nos primeiros dias de exibição provocaram, prometia um filme mega, mas que não chega a ser isso.

E o que prejudica a nova incursão cinematográfica do lagartão japonês é um problema que seria fácil de resolver: foco no personagem título!

Até que a decisão do diretor Gareth Edwards de ir mostrando aos poucos o kaiju e seus inimigos MUTO’S, deixando o primeiro ato do filme mais concentrado no drama vivido pelo personagem Joe Brody (Bryan Craston) que perde sua mulher Sandra (Juliette Binoche) num acidente em uma usina nuclear japonesa onde trabalhavam, e quer provar a qualquer custo que o acidente não foi por causa natural, funciona muito bem.

O problema é quando Craston sai de cena e a trama recai sobre os ombros do soldado Ford (Aaron Taylor-Johnson); a partir daí o roteiro se concentra demasiadamente na sua busca desesperada de voltar pra casa e ficar com seu filho e a esposa vivida por Elizabeth Olsen.

Ah, se todos os holofotes fossem pra ele...

Ah, se todos os holofotes fossem pra ele…

Se nessa segunda parte o foco saísse dos dramas humanos e ficasse mais no confronto de Godzilla contra a dupla de MUTO’S, com muita cena de pancadaria, como manda o figurino, as coisas mudariam muito.

Por mais que haja o embate dos monstros, o mesmo é feito de maneira cadenciada ao extremo, onde quando a cena engrena, há um corte, e dá-lhe dramas familiares e militares.

Quer dizer então que uma bomba foi lançada nos cinemas? Não. Como já citado, a introdução é feita de forma competente, e as atuações dos atores são muito bem feitas, com direito a um preocupado Ken Watanabe como coadjuvante de luxo.

Na parte técnica, a execução também não decepciona, com uma ótima trilha sonora, alguns enquadramentos sublimes, efeitos especiais de primeira e o design daquele que deveria ser o real protagonista são uma bela homenagem ao seu filme clássico de 54.

Mas, ao se colocar na balança os prós e contras, a segunda opção ganha com uma considerável vantagem, e a impressão que se fica é a de se estar numa sala escura vendo um filme de duas horas, de qualidade OK, que poderia ser assistido na faixa numa Temperatura Máxima da vida.

Ficha Técnica

Gênero: Ação

Direção: Gareth Edwards

Roteiro: David Callaham, David S. Goyer, Max Borenstein

Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Akira Takarada, Al Sapienza, Brian Markinson, Bryan Cranston, Carson Bolde, Chris West, Christian Tessier, CJ Adams, Dan Zachary, David Strathairn, Elizabeth Olsen, Jake Cunanan, Jeric Ross,Juliette Binoche, Ken Watanabe, Ken Yamamura, Patrick Sabongui, Peter Dwerryhouse, Primo Allon, Raj K. Bose, Richard T. Jones, Sally Hawkins, Victor Rasuk, Warren Takeuchi, Yuki Morita

Produção: Brian Rogers, Dan Lin, Jon Jashni, Roy Lee, Thomas Tull

Fotografia: Seamus McGarvey

Montador: Bob Ducsay

Trilha Sonora: Alexandre Desplat

Duração: 123 min.

Ano: 2014

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

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