Fazendo jus à badalação

Gravidade

Definitivamente, não há meio termo para Gravidade, um dos longas mais badalados dos últimos cinco anos; dos comentários que eram divulgados, 97% eram completamente a favor do filme, alguns até beirando o exagero ao colocá-lo num pedestal ao lado de 2001-Uma Odisseia No Espaço; já o restante, em minoria, criticava a morosidade e falta de lógica no roteiro.

O fato é que a obra de Alfonso Cuarón poderia cair na perigosa zona de filmes que prometem demais e cumprem de menos, o que em muitos casos prejudicam trabalhos que poderiam ser memoráveis não fosse tamanha expectativa. Mas Gravidade passa milhas e milhas de distância deste perigo e consegue, ao longo de seus 90 minutos de projeção, provar porque pode se considerar um dos melhores lançamentos de 2013, e forte candidato a estatuetas do Oscar.

A história mostra uma equipe de astronautas em órbita durante um trabalho de manutenção do telescópio Hubble, quando um alerta de Houston instaura o pânico no ar: um acidente provocou uma grande eclosão, onde detritos estão voando em altíssima velocidade na direção deles.

Somente os astronautas Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) e o comandante Matt Kowalsky (George Clooney) sobrevivem ao acidente, e terão de superar o medo e os obstáculos encontrados no caminho para poderem voltar para a Terra.

À deriva no espaço.

À deriva no espaço.

Um dos grandes acertos do diretor mexicano foi o de fazer um trabalho minimalista num filme de grande orçamento: ao invés de mostrar cenas intercaladas do espaço e da base de Houston, apenas a órbita é mostrada em toda sua vasta escuridão, o que aumenta o drama e engrandece a sua beleza.

Com jogadas de câmeras e alguns planos sem cortes, as sequências dos acidentes dão um tom realista de agonia e desespero, que fazem o espectador se sentir ali dentro daquele ambiente, principalmente quando a câmera fecha closes no rosto da Dra. Ryan, e nos alucinantes giros 360º.

Mesmo sendo todo gravado em estúdio, a iluminação e os efeitos especiais são tão bem feitos e minuciosos, que a impressão que se tem é de a locação ser mesmo no espaço, tamanha é a perfeição das imagens, que resultam numa fotografia espetacular.

Sandra Bullock, que muitas vezes é erroneamente taxada de atriz que só sabe “fazer romances e comédias água com açúcar”, aqui dá uma aula de interpretação, onde consegue ir da ironia ao drama de uma forma que só os grandes atores conseguem fazer.

Porém, o verdadeiro ponto alto de todo este espetáculo visual, é sua brilhante trilha sonora, feita por Steven Price, que consegue acompanhar bem o andamento da história e ditar seu ritmo; outro fator importante do som, foi a sábia decisão do diretor em alternar hora música, hora silêncio profundo que vão formando uma bela união sonora.

De negativo, apenas alguns furos no roteiro, como o tempo de viagem de uma estação para outra, que na vida real pode levar semanas, e no filme é como se fosse ir na padaria da esquina, o alívio cômico do personagem de Clooney, que às vezes chega ser forçado demais, aliás o ator merecia um tempo maior na tela, e por fim o efeito fast foward  de tom heroico “made in Hollywood”, que tira um pouco o brilho de seu desfecho.

Se chega ao exagero colocar Gravidade no nível do clássico de Kubrick, pelo menos num top 10 de filmes de ficção e melhores da década de 2010, este filme merece entrar com todo louvor!

Ficha Técnica

Gênero: Ficção Científica

Direção: Alfonso Cuarón

Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón, Rodrigo García

Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Basher Savage, Eric Michels

Produção: Alfonso Cuarón, David Heyman

Fotografia: Emmanuel Lubezki

Montador: Alfonso Cuarón, Mark Sanger

Trilha Sonora: Steven Price

Duração: 91 min.

País: Estados Unidos / Reino Unido

Cor: Colorido

Distribuidora: Warner Bros

Estúdio: Heyday Films / Reality Media / Warner Bros. Pictures

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