Ele merece ser aplaudido

Atuação de Ashton Kutcher como o fundador da Apple impressiona pela incrível semelhança.

Atuação de Ashton Kutcher como o fundador da Apple impressiona pela incrível semelhança.

Lembro-me como se tivesse acontecido há duas horas atrás aquele fatídico 5 de outubro de 2011, quando era por volta das 20h e estava na sala de edição de vídeo, com o grande editor Reginaldo finalizando o VT que faria parte do TCC final que condicionaria a minha conclusão de curso na faculdade meses depois; então chega Rogério com a notícia inesperada: Steve Jobs acabara de falecer momentos atrás, em decorrência do câncer no estômago que havia enfrentando.

Após ouvir tal fato, Reginaldo disse: “É moçada, se o trabalho de vocês não tá dando pau é graças a esse Mac, vamos bater palma pro cara.” Meio reticente me juntei a ele e Rogério e também aplaudi. Mas, ficava me perguntando: “Por que raios fiz isso? Eu mal tenho um produto Apple, sou contra alguns princípios do cara, como a criação de um desejo de consumo desnecessário e  o de ter tecnologia para lançar produtos mais potentes que os apresentados e ai fica segurando para obter mais e mais lucros com as versões  “beta”, e tô fazendo isso!”

Mas já dizia o sábio Rauzito: “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, e comecei a perceber que Jobs esteve mais presente do que nunca na minha vida, a começar pela Pixar, empresa que fundou no início dos anos 90 e que revolucionou os filmes de animação e o jeito de vê-los, o que por si só já seria um belo motivo pra aplaudir o cara, mas faltava o granulado e a cobertura no bolo de chocolate para me convencer disso.

Depois de mais algumas pesquisas e de ter ouvido o excelente e belo nerdcast do Jovem Nerd sobre o mito da computação, veio o granulado: a cinebiografia Jobs. As expectativas eram boas, já que o esforço de Ashton Kutcher para se parecer com o fundador da Apple foi surpreendente e sua trajetória por si só já renderia um belo filme, mas seria que ficaria a sua altura?

O começo da ascensão da Apple.

O começo da ascensão da Apple.

O filme começa com a apresentação do icônico Ipod, que revolucionaria a indústria fonográfica e o jeito de se ouvir e consumir música, e dá uma retrocedida para 1974, período em que Steve, mesmo sem dinheiro, frequentava a Universidade de Reed, período onde além do ganho intelectual, absorveu toda a atmosfera setentista como os efeitos do consumo de drogas e o relacionamento sexual mais liberal; dois anos depois começa com seu amigo Steve Wozniak em sua garagem a Apple, que em 77 com o investimento de Mike Markulla daria um grande salto com o lançamento do computador Apple II.

De fato o que chama mais a atenção na obra é a caracterização de Kutcher como o personagem principal, que além da semelhança física incrível, pegou também os trejeitos de Jobs como seu andar e entusiasmo ao expor suas ideias, aqui vale ressaltar também a maquiagem que contribui para tal façanha do ator, a direção de arte foi muito competente ao retratar com maestria o cenário anos 70 da história, pois a impressão que dá é que realmente estamos vendo um retrato daquela época, inclusive nestes quesitos eles merecem no mínimo indicações ao Oscar; já a trilha sonora é espetacular, com destaque para o grande ídolo do empresário e sempre genial Bob Dylan.

Porém o roteiro possui furos que comprometem como a forma superficial que é retrada sua relação com Bill Gates, o salto da trama de 86 quando Jobs é demitido da empresa que fundou, para 96 quando ocorreu seu retorno, faltou mostrar mais nesses dez anos sua trajetória na Next, que teve o primeiro computador com internet de uso doméstico, a reconciliação com sua filha Lisa, como conheceu sua amada Lauren e o nascimento de seus filhos, mais o principal: a fundação da Pixar, que faria com que anos depois se tornasse no maior acionista da Disney.

Mesmo com as ausências de elementos que poderiam enriquecer o roteiro do filme, Jobs é um ótimo tributo para o homem que deixou um incrível legado para a história da humanidade, ao ser um exemplo vivo de que era um louco que teve a coragem e ousadia de tomar algumas atitudes, mesmo sendo duvidosas em alguns casos, que viriam a mudar nosso modo de viver, e de que é uma figura que merece, mas merece muito, ser aplaudido!

Gênero: Drama

Direção: Joshua Michael Stern

Roteiro: Matt Whiteley

Elenco: Aaron Webster, Abigail McConnell, Adam C. Smith, Ahna O’Reilly, Alan D. Purwin, Amanda Crew, Annika Bertea, Ashton Kutcher, Brad William Henke, Brett Gelman, Clayton Rohner, Clint Jung, Cody Chappel, Dan Shaked, David Denman, Debra Garrett, DeRick Walker, Dermot Mulroney, Eddie Hassell, Elden Henson, Evan Helmuth, Giles Matthey, Hazel Dolphy, Hollie Winnard, J.K. Simmons, James Woods, Jeremy Shada, Jim Turner, Joe Filippone, John Getz, Josh Gad, Kent Shocknek, Kevin Dunn, Lanre Idewu, Laura Niemi, Lenny Jacobson, Lesley Ann Warren, Logan Grove, Lukas Haas, Maksim Kovalev, Mark Kassen, Matthew Modine, Matthew Scott Hill, Nelson Franklin, Ness Bautista, Nick Pasqual, Paul Borst, Rachel Rosenstein, Rodney J. Richards, Ron Eldard, Ronnie Gene Blevins, Samm Levine, Scott Krinsky, Victor Rasuk, Zachary Tupaz

Produção: Mark Hulme

Fotografia: Russell Carpenter

Montador: Robert Komatsu

Trilha Sonora: John Debney

Duração: 128 min.

Ano: 2013

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Distribuidora: PlayArte

Estúdio: Dillywood / Five Star Institute / Silver Reel

Classificação: 12 anos

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