Resgatando um herói

Filme de 2008 fez com que carreira de Van Damme tomasse um novo fôlego e desse uma nova esperança para seus fãs.

Não há nada pior para um fã de carteirinha de filmes de ação do que ver um de seus grandes heróis ter uma decaída tão profunda publicamente e ir para um poço que parece não ter fundo, com chances mínimas de sair de lá.

Esta era a triste cena e sina que os fãs do astro Jean Claude Van Damme conviviam há pouco tempo atrás. Sinônimo de grandes filmes e sucesso absoluto de bilheterias e locadoras, Van Damme fez história no cinema no fim da década de 80 e anos 90, com os filmes “O grande dragão branco” (1988), “Kickboxer – O desafio do dragão” (1989), “Garantia de morte” (1990), “Soldado Universal” (1992), “O Alvo” (1993), “Timecop: O guardião do tempo” (1994), “Morte Súbita” (1995), dentre outros sucessos, e também alguns erros como “Street Fighter: A Batalha Final” (1994).

Ao fim da década de 90, os problemas começaram a se acumular para o músculo de Bruxelas: o vício em drogas, principalmente em cocaína, começava a dar efeitos corrosivos, seus relacionamentos amorosos iam de mal a pior, suas dívidas começavam a se acumular e os grandes estúdios e diretores não o convidavam mais para filmes devido a sua perca de credibilidade, o que o forçou a fazer filmes “direto para o VHS” e de qualidade duvidosa.

Quando menos se esperava, em 2008, o ator resolve tomar uma atitude e roda um filme de cunho mais dramático: um filme baseado em sua vida. E assim surgiu uma das gratas surpresas de sua carreira: JCVD.

Na trama, Van Damme interpreta a si mesmo, que após sua queda em Hollywood, perder a guarda da filha e de ter problemas com o imposto de renda, resolve voltar para sua terra natal, Bruxelas, para morar novamente com os pais na busca de finalmente viver em paz. Porém, quando vai a um banco, acaba junto com os demais clientes no meio de um assalto e, para piorar a situação, é considerado um dos responsáveis pelo ato.

Monólogo emocionante e sincero de Van Damme, é um dos pontos altos do filme e de sua carreira.

Em termos técnicos, o filme é quase um desastre, a fotografia é quase amadora, a edição é meio capenga em certos momentos, a direção dá umas boas escorregadas e, se não fosse pela presença do astro, seria facilmente um filme B renegado ao esquecimento.

Mas as qualidades e a ousadia de Van Damme atropelam, de maneira surpreendente, todos os defeitos da produção: a começar pelas referências biográficas, como a sequência inicial onde o ator está filmando uma cena de ação e a pancadaria é intensa, e no meio dela há uma falha; após o incidente o ator reclama do problema ao jovem diretor asiático, dizendo que não aguenta mais tal situação e que não tem mais idade para fazer cenas sem dublê, reclamação que é feita em vão; em outro momento ao reclamar disso com seu empresário e pedindo para ele melhores contratos, o mesmo é obrigado a ouvir que não tem o mesmo prestígio de antes e que os estúdios preferem Steven Seagal a ele nas produções; e na audiência pela guarda da filha, nem a menina está ao seu lado.

Já o ponto máximo do filme, e que pode ser considerado também um dos mais memoráveis da carreira do astro, é o emocionante e sincero monólogo no meio da trama, onde Van Damme faz uma reflexão sobre fama, mulheres, drogas, decadência, dinheiro e o sentido da vida. É impossível o espectador não ficar sem pensar naquilo e se comover com a realidade nua e crua jogada ali na tela, como uma porrada em cheio na cara.

O filme não foi nenhum blockbuster, mas foi bastante elogiado pela crítica e gerou uma boa divulgação boca a boca, o que garantiu seu sucesso entre os fãs e  deu um novo fôlego a carreira do ator e o credenciou para um retorno ainda mais classe A em Os Mercenários 2, que demonstrou  que há ainda um novo horizonte pela frente para um grande herói do cinema.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Mabrouk El Mechri

Elenco: Jean-Claude Van Damme, François Damiens, Zinedine Soualem, Karim Belkhadra, Jean-François Wolf, Anne Paulicevich, Liliane Becker.

Produção: Sidonie Dumas

Roteiro: Mabrouk El Mechri, Christophe Turpin, Frédéric Benudis

Fotografia: Pierre-Yves Bastard

Trilha Sonora: Gast Waltzing

Duração: 97 min.

Ano: 2008

País: Bélgica / Luxemburgo / França

Gênero: Ação

Cor: Colorido

Distribuidora: Imagem Filmes

Estúdio: Samsa Film / Gaumont / Radio Télévision Belge Francophone (RTBF) / Artémis Productions

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