Tarantino made in Brasil

Estreia de Afonso Poyart sai do senso comum, inova e dá uma nova perspectiva a produção de filmes de ação nacionais.

Explosões, tiros, grafismos, vídeo game, jogadas de câmera, plano para exterminar político corrupto e perseguições de carro num ritmo frenético e videoclíptico; e tudo isso apenas em um trailer! Foi dessa maneira que o País foi apresentado a uma das produções mais surpreendentes dos últimos 10 anos: 2 Coelhos.

Com uma trama dinâmica e de referências pop e do mundo nerd, Edgard (Fernando Alves Pinto) é um brasileiro que vive uma temporada em Miami, preenchendo seu tempo com seus dois vícios favoritos: pornografia na internet e videogame; porém, vive atormentado por um terrível acidente que cometeu alguns anos atrás, em que matou uma mãe e seu filho.

Ao retornar para o Brasil, Edgard bola um plano que irá colocar, literalmente, o corrupto deputado estadual Jader (Roberto Marchese), que o ajudou a se livrar da prisão após o acidente, e o traficante Maicon (Marat Descartes) em rota de colisão. Para isso, contará com as importantes ajudas de Júlia (Alessandra Negrini), uma promotora que vive atormentada por sua Síndrome do Pânico e que acha seu alívio imediato na canção “Paciência”, de Lenine, e Walter (Caco Ciocler), um ex-professor universitário que teve uma terrível perda no passado.

Efeitos especiais de primeira e trama dinâmica dão a tônica de 2 Coelhos.

Nunca antes na história deste país, e também do cinema, uma publicidade foi tão honesta e não vendeu gato por lebre. 2 Coelhos é um FILMAÇO de ação, que em nada deve para os de fora; possui um roteiro de extrema inteligência, ótima fotografia, jogadas de câmera que dão um ritmo frenético, uma trilha sonora eclética (que vai de Titãs e Matanza a Avassaladores e Radiohead) e um trabalho de direção que funciona muitíssimo bem, e aqui os méritos merecem ser divididos entre o diretor Afonso Poyart e a preparadora de elenco Fátima Toledo que conseguiram extrair ótimas atuações até mesmo de atores que fazem só uma ponta.

Mas o que realmente impressiona no filme, é um elemento tão comum nas grandes produções de Hollywood: os efeitos especiais. É impressionante como as cenas que envolviam tiroteios e explosões, conseguiram receber um trabalho de pós-produção tão caprichado e bem feito, o que gera vários momentos de cair o queixo!

De negativo, apenas um fato ocorrido, que não poderei entregar aqui pois seria O SPOILER, mas que ao mesmo tempo surpreende e faz a trama sair da mesmice.

Aos “criticús” de plantão, que tanto detonaram a produção, alegando que ela abusou da chupação de elementos de filmes de ação da gringa e que isto não é cinema nacional, faço a seguinte pergunta: existe uma lei ou uma regra, que restrinja a criatividade por região, dizendo o que pode ou não ser feito em cada País? E lembrem-se que não é só aqui que temos este caso de buscar referências exteriores para se fazer um filme.

E entre um filme nacional que fica na tentativa de mais parecer uma novela ou uma produção a La Tarantino, Robert Rodriguez e Guy Ritchie, pelo bem do cinema tupiniquim e de sua evolução e revolução, fico com a segunda opção!

FICHA TÉCNICA

Diretor: Afonso Poyart

Elenco: Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Fernando Alves Pinto, Thaide, Marat Descartes, Thogun, Neco Villa Lobos

Produção: Afonso Poyart

Roteiro: Afonso Poyart

Fotografia: Carlos André Zalasik

Duração: 104 min.

Ano: 2010

País: Brasil

Gênero: Policial

Cor: Colorido

Distribuidora: Imagem Filmes

Estúdio: Black Maria Filmes

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