Conclusão com gosto de quero mais

Filme conclui de forma grandiosa a trilogia de Nolan.

É possível se empolgar com um filme mesmo sabendo das principais reviravoltas e surpresas contidas nele? Será que tanta exaltação em torno dele não poderia gerar uma frustração? Foi com esses questionamentos na cabeça que fui conferir um dos lançamentos mais aguardados do ano e da minha vida: Batman – O Cavaleiro Das Trevas Ressurge.

Semanas antes de vê-lo, assim como todo grande fã, olhei vários sites com notícias, resenhas, críticas e making-off’s para ficar inteirado e, numa dessas pesquisas, dei a burrada de ver um vídeo recheado de spoilers, mesmo já sabendo disso. O engraçado é que mesmo com essa presepada, fiquei com mais vontade ainda de vê-lo, para ver como tudo se desenvolveria.

Além disso, havia a questão da grande expectativa, que na maioria dos casos é a mãe das grandes frustrações e, em meu caso em particular, estava quadruplicada, pois além dos vários comentários positivos de amigos que eu li, havia ainda minha ligação pessoal com herói, que é o meu favorito desde meus quatro anos de idade, com direito a ter fantasia do homem morcego na época e por ser fã de carteirinha de seus filmes, com exceção do ridículo, mas que encaro como comédia e dou boas risadas, Batman e Robin de 1997.

Infelizmente por questões de logística, minha “maravilhosa” cidade não possui uma mísera sala de cinema, só consegui assistir a conclusão da triologia de Nolan neste último sábado e tanta espera valeu muito a pena.

Anne Hathaway consegue destaque no filme no papel da Mulher-Gato, Selina Kyle.

Na trama passam-se oito anos depois de O Cavaleiro Das Trevas e após a morte do “herói” Harvey Dent, Gothan City vive em pleno estado de paz, com índices zero de violência e sem a necessidade ter um herói como o Batman por perto. Porém toda essa paz já é abalada logo na primeira aparição de Bruce Wayne (Christian Bale) quando ele flagra Selina Kyle (Anne Hathaway, que manda muito bem no papel) roubando o colar de pérolas de sua mãe e ali somos apresentados a “Mulher-Gato”, que atiça os instintos heróico/investigativo do milionário. Mas o retorno do herói realmente torna-se necessário, quando Bane (Tom Hardy), um brutamontes que espalha medo e caos por onde passa, começa a por a vida de todos os cidadãos de Gothan em perigo real e imediato.

Como fã confesso, devo agradecer todo santo dia ao brilhante e fantástico diretor Christopher Nolan por ter literalmente ressuscitado o homem-morcego das péssimas impressões deixadas pelo último filme dirigido por Joel Schumacher, que queimou a reputação de Batman e o deixou quase no limbo com Batman e Robin, ao trazer um personagem mais sombrio, enigmático, sério e sem gracinhas. E seu desfecho para esta triologia com O Cavaleiro Das Trevas Ressurge tem vários aspectos que são geniais.

Muito bem interpretado por Tom Hardy, Bane e Batman (Christian Bale) protagonizam uma das lutas mais memoráveis da saga do homem-morcego.

A começar pela sequencia inicial do sequestro do vôo onde Bane aparece pela primeira vez e mostra que é muito mais do músculos, possui uma mente insana capaz de elaborar as maiores atrocidades possíveis, ele também protagoniza com Batman uma das cenas mais memoráveis da saga, com a luta onde só se ouve socos, chutes e palavras de ameaça, e com uma derrota do herói para o vilão agonizante. É preciso também ressaltar a cena da fuga da prisão, que é a minha favorita e dá nome ao filme.

Outros aspectos louváveis são: a maravilhosa trilha sonora de Hans Zimmer, que mexe de forma profunda com a emoção do espectador e gera todo um clima envolvente, a fotografia grandiosa, as técnicas de filmagem de Nolan, a apresentação do policial Blake, muito bem feito por Joseph Gordon-Levitt e, por milagre, o pouco recurso de efeitos especiais mirabolantes, que dá um tom mais realista.

Mesmo com toda sua grandiosidade, a obra tem seus pontos negativos. O primeiro foi o fato de não ter uma explicação da origem da “Mulher-Gato”, pois Selina Kyle aparece já como a anti-heroína sem as devidas explicações de porque possui aquele caráter inconfiável e sua caracterização não ficou lá das melhores, aí não tem como não lembrar da inesquecível felina sexy e perigosa de Michelle Pheiffer em “Batman: O retorno” de 92, que além de ser bem apresentada protagoniza uma das cenas mais memoráveis da história do cinema com sua lambida em Batman. Causa um certo incômodo a voz de Bane, que dá pra perceber claramente ser uma voz gravada em estúdio e que no início destoa do tom da mixagem das demais vozes, mas ao longo da projeção esse deslize vai se corrigindo.

Uma das questões que foram mais levantas foi a de que se este filme superaria o anterior; mesmo este sendo uma sequência dele e uma conclusão de Batman Begins, me arrisco a afirmar que não! Por mais que curti o filme, mesmo tendo considerado ele excelente, não tem como ser o melhor da série, pois no anterior além de termos mais ação, havia um tal de Coringa, que foi magistralmente feito por Heath Ledger, que o alçou no patamar de vilões memoráveis da sétima arte e que colocou Wayne pra ralar sua cabeça além de suas habilidades de luta.

Sobre o fechamento, a cena final realmente mostra que o território está mais do que preparado para uma nova sequência e não seria nada mal se Nolan e Cia mudassem de ideia e fizessem pelo menos mais um filme com o Charada, e quem sabe também com o Pinguim, pois sonhar ainda não custa nada. Neste meio tudo é possível e se, por acaso, realmente acontecesse seria algo lendário ver um “Batman: O Cavaleiro Das Trevas Retorna”!

FICHA TÉCNICA

Diretor: Christopher Nolan

Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Morgan Freeman, Michael Caine, Anne Hathaway, Joseph Gordon-Levitt, Liam Neeson, Tom Hardy, Cilliam Murphy, Marion Cotillard, Maggie Gyllenhaal

Produção: Christopher Nolan, Charles Roven, Emma Thomas

Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan

Fotografia: Wally Pfister

Trilha Sonora: Hans Zimmer

Duração: 165 min.

Ano: 2012

País: EUA, Reino Unido

Gênero: Ação

Cor: Colorido

Distribuidora: Warner Bros.

Estúdio: DC Entertainment / Legendary Pictures / Syncopy / Warner Bros.

Classificação: 12 anos

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