Noite Ensolarada

Em uma noite fria em Uberlândia, Os Paralamas Do Sucesso proporcionaram um mega show memorável e ensolarado. Foto de Guilherme Lourenço.

Parecia que algo daria errado naquela noite fria de 30 de junho de 2012 em Uberlândia, onde uma das maiores lendas vivas do Brock iria fazer sua primeira performance, após 17 anos: Os Paralamas Do Sucesso.

O primeiro sinal foi a imensa demora em liberar a entrada do público que chegou a formar uma imensa fila ao redor do Castelli Master, que teve de aguentar um frio de gelar a alma e o tempo, que parecia não passar.

Após a demora, mais uma lambança da organização do evento: quem foi de pista (meu caso e de minhas companhias), foi literalmente jogada de lado, pois ficamos colados na lateral do palco. Por sorte, eu e minha prima Bebel, conseguimos ir mais a frente e tivemos uma visão até boa, dentro dos limites, do palco, onde pudemos ver parte do belo cenário da turnê “Brasil Afora”, inclusive o espetáculo em muito se assemelha com o do DVD lançado pelo Multishow, salvo a exceção da ordem e inclusão de músicas diferentes no set list.

Em uma atitude bacana, a empresa que trazia o mega espetáculo do Paralamas para “Capital do Triângulo Mineiro”, através de seu projeto cultural, realizou um show de abertura, com uma banda local de rock instrumental, que mandou muito bem, com referências à grandes ícones do nosso rock, como Raul Seixas e Ultraje a Rigor, músicas autorais de qualidade e até um momento tarantinesco com a execução da música tema de Pulp Fiction.

Quando chegou a meia-noite de domingo, finalmente a espera chegou ao fim, em grande estilo: Os Paralamas Do Sucesso estavam ali ao vivo e a cores, mandando uma energia descomunal, super alto astral, com a faixa de abertura, de seu mais recente trabalho “Brasil Afora”, disco do qual, aliás, não só marcou a volta da banda ao som mais latino e alto astral como garante a energia elétrica e contagiante do show, “Sem Mais Adeus”, já mostra logo ao que veio. A segunda música é um caso interessante, pois “Dos Margaritas” é bastante conhecida pelos fãs, mas não por ser um hit radiofônico, e sim videoclíptico, pois quando “Severino”, o ousado disco de 94, foi lançado, a grande mídia praticamente o ignorou, porém a Music Televison Brasil, deu espaço aos clipes do álbum, o que garantiu um sucesso a essa canção fantástica, que mostra muito bem o casamento do rock com a música latina, através de arranjos muito bem trabalhados.

Logo na terceira canção, os Paralamas conquistaram de vez o público, e dali pra frente o jogo já estava mais do que ganho com o eterno mega hino Óculos, é impressionante como logo nos primeiros acordes de guitarra de Herbert Vianna, e nas primeiras batidas, do maior baterista da América Latina, João Barone, o público já ficou extasiado! Sem deixar brecha para os fãs se recuperarem desse petardo, mais um mega som, que logo na introdução pré-gravada, todos cantaram em uma só voz: “Ela Disse Adeus”, grande de sucesso de Hey Nana de 98, que tem um excelente clipe (o meu favorito da banda) e que fez até quem estava lá no fundo, pular alto!

Antes de avançar no show, a primeira interação paralâmica com Herbert: “Vamos ver se vocês lembram-se dessa próxima música?!” Nem foi preciso cantar as primeiras frases, de uma das melhores canções de protesto já feita: “O Beco”. Após a excelente execução desta grande canção, o show esfria e vem a primeira decepção da noite: “Cuide Bem Do Seu Amor”, típica música pra engrenar novela global, com um clima down, meloso, xaroposo; sei que muitos fãs, principalmente o público feminino a adora, mas pra mim ela em nada representa os garotos da Vó Ondina, portanto, next!

“Tendo A Lua”, aí sim, balada linda, de sentimento sincero, com uma atmosfera envolvente e deliciosa e com um dos versos mais belos de nossa música: “O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu”. Golaço de placa! Na oitava canção, a primeira surpresa: “Bora-Bora”; a faixa-título do disco de 88 gerou muitos questionamentos de pessoas ao redor de: “Hey, que música é essa? Muito boa ela!” E ai o mérito vai para os metais de apoio, que dão um show a parte. Avançando um pouco mais em sua discografia, agora é a vez de uma das mais criativas composições paralâmicas ganhar vida ao vivo: “Perplexo”, que com sua batida e ritmo empolgante incendeia mais ainda o show! E os versos: “Eu sou Maguila, não sou Tyson” ainda devem estar ecoando em alto e bom som no local!

E se parecia que o show iria dar uma pausada, para um possível descanso, que nada! Dá-lhe mais mega hit, com “Melô do Marinheiro”, do antológico e essencial álbum Selvagem? de 86, com direito a pout-porri em homenagem a um grande ícone: Tim Maia, com os hits de fogo: “Você”, cover que teve a benção do próprio, juntamente com “Gostava Tanto De você”.

Mais do que um sucesso recente, “A Lhe Esperar” é sem sombra de dúvidas, uma das melhores de toda a incrível carreira dos Paralamas, sua inclusão no repertório é mais do que fundamental na divulgação do disco de 2009, e tomara que ganhe vida em futuras turnês. E mais uma joia rara coloca todo mundo em êxtase: “O Calibre”, porrada na orelha, hiper, máster, plus, vip de 2002, que marcou o retorno de gala da banda na época, após o acidente de Herbert, todos nesse momento pulam freneticamente!

Outra surpresa que eu e milhares tiveram, foi de ver “Meu Erro”, clássico dos primórdios da banda em “O Passo Do Lui” de 84, sendo executada não no fim do show, mas sim na reta final. A décima quinta canção do repertório é um momento de tão intensa emoção, que não dá pra descrever, só quem já ouviu ao vivo “Lanterna Dos Afogados”, sabe o que é sentir na pele a magia deste presente dos deuses.

Em “Caleidoscópio”, um dos momentos “guitar hero” com Herbert mandando um solo poderoso, que botou a casa abaixo. E dá-lhe rock n´roll, com um dos gritos de desabafos mais fantásticos do planeta: “Uns Dias”, aos paralâmicos de primeira viagem, um pouco da história por trás do clássico: Em 88, Herbert Vianna se separava de Paula Toller, vocalista do Kid Abelha e musa do rock tupiniquim, o que gerou a inspiração da canção.

Após um desabafo em alto e bom som, um momento mais rellax, com o hit de “Nove Luas”, de 96, “ La Bella Lunna”, que traz um ritmo caribenho super bacana. Depois de um momento de mais calma, mais um grande hino, que a banda se orgulha de dizer de boca cheia: “Uma parceria com o grande Gilberto Gil!” E começa então a execução de ‘A Novidade”, e infelizmente, nunca sua letra esteve tão atual, como está hoje!

É chegado então o momento da trinca “tira o pé do chão”, com os balaços: “Lourinha Bombril”, grande hit de 96 e versão sensacional de “Parate Y Mira” da banda argentina “ Los Pericos”; “ Alagados”,  uma de minhas favoritas, onde o refrão: “A esperança não vem do mar, nem das antenas de TV, a arte de viver da fé, só não se sabe fé em quê!” foi cantado até pelos que não eram tão fãs assim, e estavam ali “just for fun”; e “Uma Brasileira”, que marcou os anos 90 e é um resultado de uma grande parceria com ícone da MPB Djavan e com um dos maiores compositores do axé, que aliás transcende esse rótulo e é um dos maiores do rock também, Carlinhos Brown!

Com os gritos de mais um, a banda volta para o tradicional bis e, antes de começá-lo, João Barone diz um discurso que jamais será esquecido: “O sinal de progresso de um país não está no número de carros importados estacionados na garagem; e sim pelo número de crianças na escola!” Palmas com louvor!

As duas últimas canções, já vem servindo de encerramento há um bom tempo: a homenagem aos amigos dos Titãs, que assim como os Paralamas também fazem 30 anos esse ano, com “ Sonífera Ilha” emendada com “Ska”. E pra fechar com chave de ouro, o primeiro grande hit, que a gente jamais esquece: “Vital E Sua Moto”.

Neste longo depoimento, você caro(a) leitor (a) do blog, deve ter percebido que não mencionei o nome do baixista Bi Ribeiro, porque sua incrível performance, merecia uma comentário a parte, pois ao vivo, essa lenda do rock nacional, dessssttttróooiii no baixo! É impressionante o que ele toca! Nunca vi tanta pegada, num jeito simples e foda ao mesmo tempo! Um dos melhores baixista em solo nacional, com toda e absoluta certeza!

Se no início da noite o frio incomodava, ao fim dela, após presenciar um eletrizante e emocionante mega espetáculo do Paralamas, pude voltar a sorrir com nosso Brock, ao ver que ele ainda está vivo e muito bem, com uma bandaça que ainda irradia milhões de fãs, com suas músicas tão belas quanto um sol que irradia sua luz numa linda tarde!

Fim de show. Foto de Guilherme Lourenço.

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