Lixo Pra Gringo Ver

Bomba de John Stockwell é um atentatdo ao bom gosto do cinéfilo.

Começo o post de hoje relembrando uma afirmação de Paulo Ricardo, vocalista e baixista do RPM, dada ao jornalista Zeca Camargo em um especial da MTV em 1993, feito para o retorno da banda naquele ano, uma opinião da qual eu compartilho: “Eu não sei de onde os críticos brasileiros tiram esse prazer de pegar uma obra e descer a lenha, de falar mal.” Paulo ainda lembrou que em seus tempos de jornalista, quando exercia ofício de crítico, as únicas duas resenhas que havia feito foram positivas, uma era de um novo disco do tremendão Erasmo Carlos e a segunda é do ótimo e histórico disco de estréia da Blitz: As Aventuras Da Blitz, de 1982.

Também não sei de onde vem essa fonte de prazer detonador do jornalismo cultural brasileiro que paira no ar há anos, e nem gosto de achincalhar com alguma obra; porém, na madrugada de quinta para sexta da última semana, faço um feito do qual até agora busco razões científicas, filosóficas e astrológicas para explicar, mas não consigo: assisti ao filme Turistas (EUA, 2006) dublado na Record!

Lembro como já dizia aquela velha frase batida, mas sempre válida, como se fosse ontem, o alvoroço que o lançamento causou entre os cinéfilos e a mídia, que anunciaram a catástrofe que estava por vir: um filme que rebaixava o Brasil a condição de selvagens, que vivem na selva sem contato com a civilização. Talvez a curiosidade de ver se o alarde todo era verídico fez com que conferisse o mesmo.

Não sou um nacionalista chato de plantão, ou um patriota hipócrita de Copa do Mundo, que é Brasil-Sil-Sil só de quatro em quatro anos, nem fico irritadinho quando falam merdas, algumas até verdadeiras doam a quem doer, sobre o nosso País; mas Turistas realmente é uma afronta, só que à imensa nação de cinéfilos tupiniquins e around the world!

Presença de Olivia Wilde e belas paisagens são os pouquíssimos pontos que salvam a obra.

A trama começa com um grupo de mochileiros europeus, que vem ao Brasil curtir o que há de melhor aqui, segundo sua ótica: mulheres, baladas, caipirinha, praias e sexo. Para embarcar nessa jornada, pegam um busão bem brasileiro caindo aos pedaços, com um motorista imprudente, rumo a Floripa! Mas os gringos caem numa típica “pegadinha do Mallandro” e vão parar no Nordeste!

O motorista provoca um acidente e todos quase morrem, ficam presos em uma ilha que tem como cartão de visitas uma bela praia, com um buteco e uma bela mulata a espera, vendendo aquela imagem de paraíso na terra. Porém, após um baile funk pankadão carioca, regado a muita caipirinha batizada, os jovens europeus acordam atordoados na praia, percebem que foram roubados e estão sem lenço nem documento. As confusões em que o grupo se mete só vão aumentando e ao chegaram numa casa misteriosa, eles viverão um dos piores pesadelos de suas vidas.

Tudo bem que o cinema pipoca com refri não deve ser levado tão a sério, e muitos são feitos com o objetivo de só entreter por entreter, e amo de paixão milhares e milhares de filmes com essa proposta, mas Turistas pisa na bola, e feio demais! A começar pelo roteiro, que esqueceram de fazer, pois uma boa e inerente história ali não há, a atuação dos atores é um show de horror, a direção e preparação do elenco é digno de fazer inveja aos Mutantes do bispo Edir, a condução da história é falha, não há um momento que surpreenda ou entretenha o espectador e passe alguma emoção. Mas a cereja do bolo, vem com a “fantástica” trilha sonora dessa joia trash da sétima arte, em menos de 20 minutos, o filme é embalado com três músicas do D2, artista do qual curto pra caramba tanto em carreira solo como no Planet Hemp e que me proporcionou um dos shows mais bacanas e classe A da minha vida, mas só tocar o artista na trilha no início mostra o quanto a produção tinha um orçamento baixo pra produção, na sequência  pankadão pra embalar a festa no buteco da praia, e pra fechar o filme com chave de alumínio enferrujado: Adriana Calcanhoto, com Fico Assim Sem Você! Óoooooooooo Céus!

De positivo só as belas paisagens e a presença da sempre linda e competente atriz Olivia Wilde, que poderiam render uma consideração melhor a obra, mas, não, aquela música de Adriana Calcanhoto no fim, ainda me dá pesadelos!

Se você caro leitor do blog e cinéfilo de carteirinha, tiver coragem de ver essa chacina made in Hollywood, boa sorte, mas já te digo: É uma cilada Bino! Com toda certeza o sábio Chaves, tinha razão: Era melhor ter visto o filme do Pelé!

FICHA TÉCNICA

Diretor: John Stockwell

Elenco: Josh Duhamel, Melissa George, Olivia Wilde, Desmond Askew, Beau Garrett, Max Brown.

Produção: Marc Butan, Scott Steindorff, John Stockwell, Bo Zenga

Roteiro: Michael Ross

Fotografia: Enrique Chediak

Trilha Sonora: Paul Haslinger

Duração: 94 min.

Ano: 2006

País: EUA

Gênero: Terror

Cor: Colorido

Distribuidora: Não definida

Estúdio: 2929 Productions

Classificação: 18 anos

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