A Jornada de um Headbanger Continua

Continuação de documentário de Sam Dunn mostra como o heavy metal está inserido no processo de globalização.

Quando estava começando minha viagem rumo ao Rock In Rio 4, recebo de um dos meus amigos que me acompanharia ao festival, e que é dono de uma locadora bem interessante em minha cidade , uma das melhores notícias musicais/cinematográfica, o documentário Metal Uma Jornada Pelo Mundo Do Heavy Metal havia ganhado uma continuação: Global Metal.

A seqüência do documentário, que mais uma vez é dirigida pelo excelente Sam Dunn, tem como ponto de partida a última cena do primeiro, o maior festival de heavy metal do mundo: o Wacken Open Air Festival, na Alemanha. Ali Dunn, reforça a mensagem da importância do festival, onde se encontra todo tipo de fã de metal que se possa imaginar, e comenta surpreso a repercussão mundial de seu primeiro trabalho, falando de e-mails que recebeu de fãs dos mais variados lugares deste mundo. Com isso ele levanta o dilema: Como o metal está inserido e contribui no processo de globalização? Para obter essa resposta, o diretor embarca em uma nova jornada.

Sam Dunn e Max Cavalera.

O primeiro destino de Sam Dunn é o nosso país, aqui ele fica surpreso e intrigado em como uma nação que é famosa lá fora pelo futebol, o samba, e o carnaval, tem uma cena metal tão forte e importante, com depoimentos de Carlos Lopes da banda Dorsal Atlântica, Rafa Bittencourt do Angra, e uma fã, mostra-se como o rock caminhou lado a lado com o processo de redemocratização do Brasil em 85, através do primeiro Rock In Rio que ocorreu em janeiro daquele ano, além do gênero ter muito a ver com a ideologia dos roqueiros tupiniquins em mostrar o que está de errado e não aceitar aquilo, além da questão de superação de obstáculos; para reforçar ainda mais a importância do festival de 85, os guitarristas Adrian Smith e Dave Murray, do Iron Maiden, comentam como ficaram surpresos com a literalmente “calorosa” recepção do público. Ainda em solo tupiniquim, Dunn vai à São Paulo, conhecer a Galeria do Rock, e comenta que se vê a importância do rock em um país, quando o mesmo tem um shopping dedicado a ele; mostra-se algumas lojas do estabelecimento, com destaque para o fã clube oficial do Sepultura, que é uma das bandas favoritas do diretor, e é feita então uma entrevista com um dos fundadores e ex-vocalista, Max Cavalera, que fala do início difícil da banda, do memorável show no Rock In Rio II em 91 no Maracanã, e do processo de criação do antológico álbum Roots.

Entrada da Galeria do Rock em São Paulo.

Finalizada a visita ao Brasil, a próxima parada da viagem, é um dos países com maior concentração de fãs de rock e interessantes do planeta: Japão. Aqui mostrasse como um povo tão aficionado pela organização, rígido no trabalho, e com fama de ser retraído, consegue ter um público animado nos shows, e ávido por rock. Mostrasse então que duas grandes importantes bandas do metal foram essenciais para introdução do gênero no país: Deep Purple e o Kiss. A devoção dos japoneses pela primeira banda é tão grande, que há um bar temático em homenagem ao guitarrista Ritchie Blackmore, e ali rende uma das cenas mais hilárias do filme, com japoneses cantando em coro o clássico “Highway Star”. Duas coisas interessantes que são mostradas é a cena do metal japonês, que vem ganhando muita força com o fenômeno X-Japan, que já chegou a vender mais de 20 milhões de discos, e de que o ex-guitarrista do Megadeth, Marty Friedman adotou o país como sua nova morada, e comanda um programa na TV japonesa, além disso, Friedman comanda um projeto musical, que rege um coral de 48 vozes femininas, com um heavy metal, bem típico de abertura de desenhos que marcaram a infância de milhões de muleques mundo afora, e declara que essa ousada ideia não seria possível de se fazer nos EUA ou na Europa. Aqui também são apresentado os depoimentos de Tom Araya e Kerry King do Slayer e Lars Ulrich do Metallica, que comentam sobre como os nipônicos estão mais animados em seus shows.

Um dos maiores fenômenos do heavy metal japonês, o X-Japan, já vendeu mais de 20 milhões de discos.

Um dos países mais autoritários do mundo, a China, também consegue achar uma brecha para o movimento, que graças à banda Tang Dynasty, o metal pode ser feito e apreciado em um lugar onde para se ter a liberdade de expressão e de escolha, deve de se ter muita atitude e perseverança.

Tang Dynasty, a primeira banda de heavy metal chinesa, foi de extrema importância para que o metal fosse ouvido por lá.

Na seqüência, a viagem segue para Índia, onde mostra-se como uma das maiores populações do mundo, está mudando seus velhos hábitos, gerando um contraste entre os headbangers e os fãs de musicais de Bollywood, que fica bem evidenciado na cena, onde num mesmo local ocorre um show de uma banda de heavy metal, e do outro, um casamento indiano a moda antiga.

Sam Dunn em visita à Índia.

Na Indonésia, é interessante notar como o povo de lá é fortemente ligado ao nosso, através do Sepultura, que em 1992 quando começando sua brilhante carreira internacional após lançar o mega disco Arise em 91, fez um brilhante espetáculo por lá; um dos fãs do grupo explica que rola essa identificação, pois os problemas sociais que rolam por lá e a vontade da população em resolvê-los é bem semelhante à nossa; aqui também é relembrado a forma truculenta e covarde que a polícia tratou os fãs do Metallica, em um show que a banda fazia por lá em 1993, batendo violentamente neles sob a estúpida acusação, de serem comunistas, o que privou o país de receber show de rock por um bom tempo.

O Oriente Médio, por incrível que pareça tem uma forte cena de heavy metal, que é mostrada em Israel, que através de fãs que desafiam os religiosos mais xiitas, e graças ao compartilhamento de músicas e vídeos neste espaço virtual, conseguem fortalecer e nutrir o movimento por lá. A última parada seria o Irã, seria, porque Sam Dunn e sua equipe tiveram seus vistos negados, e tiveram de partir para Dubai, único lugar do continente que recebe um festival de heavy metal, o Desert Rock Festival.

Para finalizar bem o documentário, Dunn retorna para a Índia, onde um momento histórico acontece, o primeiro show de metal ocorrerá no país, e será feito em alto e bom som com o Iron Maiden.

Ao final, a mensagem que fica para o espectador é a de que mesmo sendo de diferentes culturas, religiões, hábitos e opiniões, os headbangers têm uma paixão que os une de uma forma igual, universal, intensa e na alma: a paixão pelo Heavy Metal!

Ficha Técnica

Gênero: Documentário, Música

Direção: Sam Dunn, Scot McFadyen

Roteiro: Sam Dunn

Produtores: David Reckziegel, Noah Segal, Sam Dunn, Scot McFadyen, Victoria Hirst

País: Canadá

Ano: 2008

Duração: 92 minutos

Cor: Colorido

Distribuidora: Europa Filmes

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