Festa Titânica

Documentário dirigido por Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves mostra em detalhes a trajetória de sucesso dos Titãs.

Um termo que achei perfeito para definir os Titãs veio de meu amigo Rogério Vaz, quando certa vez ao falarmos da banda ele disse: “Cara, os Titãs é a união de oito gigantes do rock nacional numa banda só!” E a melhor forma de entender e saber com mais afinco sobre o grupo que é um dos maiores dor rock nacional (e ouso dizer do rock internacional também!), e o porquê meu amigo Rogério utilizou este termo para definir de forma exata a genialidade da banda, é assistindo o excelente documentário Titãs-A Vida Até Parece Uma Festa.

A idéia do filme teve origem em 1986, quando os Titãs estavam no auge com o clássico Cabeça Dinossauro e Branco Mello comprou uma câmera VHS para registrar os bastidores da banda em shows, quartos de hotel, viagens, gravações de discos e ensaios. Ao conhecer Oscar Rodrigues Alves em 2002 quando este dirigiu o premiado clipe de Epitáfio, a intenção das filmagens registradas pela banda virar um filme ganhou forma.

Os diretores garimparam nada menos do que 200 horas para editar o material titânico, que são verdadeiras relíquias e que estão reunidas em 100 minutos. O interessante é que não há as famosas narrações em off e nem  os depoimentos tradicionais de documentário, tudo é feito de um jeito dinâmico onde a música e as imagens falam por si só sobre cada fase da banda, que inclusive vão e voltam para explicar sobre determinado assunto.

Logo no início do filme temos uma raridade, o grupo Mamão E As Mamonetes (uma espécie de embrião dos Titãs) grupo formado por Branco Mello, Marcelo Fromer e Tony Bellotto nos vocais, num programa de calouros que ganha à reprovação de uma jurada dizendo que eles não davam pra música, porém eles ganham a aprovação de ninguém menos do que Wilson Simonal!Mas como todos sabem o grupo não deu em nada, mas em 1982 os três se juntaram a Ciro Pessoa, Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Nando Reis, André Jung e Sérgio Britto e juntos os nove fundaram o Titãs Do Iê-Iê. Em 84 quando estavam prestes a lançar o primeiro disco, Ciro sai da banda, justamente quando ela começou a despontar no país todo com seu grande sucesso Sonífera Ilha, que deu uma grande visibilidade ao conjunto ao serem freqüentemente vistos nos programas de TV, inclusive a cena que mostra a ida dos Titãs (já sem o Iê-Iê no nome) na Hebe é um dos momentos mais impagáveis do filme!

Titãs em sua primeira formação: Paulo Miklos vocais, Nando Reis baixo e vocais, Marcelo Fromer guitarra, Arnaldo Antunes vocais, André Jung bateria, Branco Mello vocais, Sérgio Britto teclados e vocais e Tony Bellotto guitarra.

Já em 85, nova mudança na formação da banda: sai André Jung e entra Charles Gavin na bateria e com ele no grupo, a banda teria sua formação clássica que redefiniria os rumos do rock brasileiro. No mesmo ano lançam Televisão que mais uma vez faz um grande sucesso.

Titãs em 89 com sua formação clássica: Branco Mello vocais, Sérgio Britto teclados e vocais, Nando Reis baixo e vocais, Marcelo Fromer guitarra, Arnaldo Antunes vocais, Tony Bellotto guitarra, Paulo Miklos vocais e Charles Gavin bateria.

Mas o apogeu veio mesmo no ano seguinte quando sob a primeira produção de Liminha (que viria se repetir mais vezes com sucesso) é lançado o grandioso Cabeça Dinossauro (grande clássico do rock nacional que ganhará um post em breve) e é neste momento que podemos entender como um grupo de oito cabeças pensantes se deram bem durante 10 anos, quando ao filmarem o clipe da faixa título do disco, na Chapada Dos Guimarães em Mato Grosso, cada um enfileirado espera sua vez de aparecer no vídeo e quando aparecem juntos parecem ser um grande ser só.

O grupo durante as gravações do clipe de Cabeça Dinossauro.

Um aspecto que pode despontar um pouco quem vê o filme é o fato dele não ser um Some Kind Of Monster (franco documentário do Metallica) da vida, o máximo de momentos tensos que podemos ver na tela é a discussão de Liminha com Charles Gavin na gravação de Corações E Mentes do disco Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas, de 1987, quando este dá um esporro dizendo que não dá pra ter muita virada de bateria nos disco; mas o clima e logo amenizado na cena seguinte quando produtor dá um abraço no baterista o parabenizando pelo trabalho do disco; outro momento de clima tenso no ar é quando a banda veta a maioria das composições de Nando Reis no disco A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da Última Semana, de 2001, que é o prenuncio de sua saída da banda. Também não é passada em branco a saída de Arnaldo Antunes, que foi um grande baque pros fãs e pro grupo em 92. Porém o momento mais emocionante do filme e conseqüentemente da história dos Titãs, é o trágico falecimento do grande guitarrista Marcelo Fromer.

O único ponto negativo, a meu ver, fica a partir do momento em que é retrato os anos 90 em diante, quando meio que para caber nos 100 minutos, a edição da uma acelerada nas cenas que retratam os discos Tudo Ao Mesmo Tempo Agora de 91, Titanomaquia de 93 e Domingo de 95.

Titãs-A Vida Até Parece Um Festa é um registro essencial e que tem de ser visto não só por quem é fã da banda, mas sim pelos amantes da boa música e cinema de qualidade, principalmente.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves
Elenco: Arnaldo Antunes, Tony Bellotto, Sérgio Britto, Marcelo Fromer, Charles Gavin, Branco Mello, Paulo Miklos, Nando Reis
Produção: Angela Figueiredo, Paulo Roberto Schmidt
Roteiro: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves
Duração: 100 min.
Ano: 2008
País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Estúdio: Academia de Filmes
Classificação: 12 anos
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4 comentários em “Festa Titânica

    • Fala Ubiratan!
      Ciro Pessoa foi um dos fundadores e membro da primeira formação dos Titãs, quando eles eram em nove, e que durou de 82 a 84. Quando a banda estava pra gravar o primeiro disco e a estourar com “Sonífera Ilha” ele resolveu sair. Anos depois ele fundou a banda Cabine C, que chegou a gravar um disco em 87 chamado de “Fóforos de Oxford” pelo selo RPM Discos (do RPM) mas não vendeu nem 50 mil cópias, e logo acabou. Tempos depois, em 2010, faria a trilha do filme “Eu e Meu Guarda Chuva” com o Branco Mello; hoje ele desenvolve um trabalho solo no cenário alternativo.
      Bom, espero ter te ajudado.
      Abraço!

  1. OI! Além destes trabalhos citados do Ciro (Cabine C e Eu e meu Guarda -Chuva) teve também o CPSP (Ciro Pessoa e Seu Pessoal) além de dois discos solo nos anos 2000 (Muito bons por sinal ) O ” No Meio da chuva eu grito Help” e o “Em dia com a Rebeldia”
    Vale a pena dar uma pesquisada no trabalho do cara, é bom sim.

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